Uma exposição que sublinha “a beleza dos materiais” de construção no cenário dos bastidores da arquitetura, com a participação de três ateliês, entre eles o de Ricardo Bak Gordon, é hoje inaugurada no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

“Building Stories/Histórias Construídas” dá o título a esta mostra, com curadoria de Rodrigo da Costa Lima e Amélia Brandão Costa, que também inclui também os ateliês de Vylder Vinck Taillieu (Bélgica), e Maio (Espanha).

Cimento, areia, gravilha, tijolos, placas metálicas e madeira foram reunidos no espaço expositivo da Garagem Sul do CCB, como parte integrante da exposição que pretende dar uma perspetiva diferente, um olhar sobre o processo de construção dos edifícios, o resultado final, habitualmente visto como o mais importante da arquitetura.

“Convidámos arquitetos que pensam a arquitetura de forma diferente”, disse o programador da Garagem Sul, André Tavares, durante uma visita guiada aos jornalistas.

O arquiteto Jan de Vylder, que trabalha na Bélgica, num ateliê de arquitetura com Inge Vinck e Jo Taillieu, sublinhou “a grande beleza dos materiais”, que geralmente são olhados com banalidade nos cenários de construção.

“Não é uma fixação sobre os materiais, mas a intenção de dar-lhes uma perspetiva diferente”, comentou o arquiteto do ateliê belga que este ano foi premiado com um Leão de Prata na Bienal de Arquitetura de Veneza.

Por seu turno, o arquiteto português Ricardo Bak Gordon apresenta nesta exposição uma construção básica em tijolo, que representa um projeto real que irá ser construído no Alentejo.

Criada à escala natural, com seis metros de altura, a estrutura em tijolo representa, na exposição, “o valor simbólico da casa”.

“O Homem constrói a sua casa mais ou menos da mesma maneira há muito tempo. Eu acredito que a arquitetura pode evoluir de um processo muito simples”, comentou o arquiteto, que já foi premiado, entre outros, com o prémio FAD (Festival of Architecture and Design), em 2011.

Por seu turno, Ana Puigjaner, do ateliê Maio, de Barcelona, que participou na Bienal de Veneza 2016, no Pavilhão de Espanha, premiado com um Leão de Ouro, indicou que o seu projeto na exposição foi o resultado de “repensar o espaço e torná-lo mais pequeno, mostrando o processo de construção, que começa realmente no escritório, com a criação de maquetas em várias escalas”.

A exposição “Building Stories/Histórias Construídas” vai ficar patente até 14 de outubro, no CCB, e é inaugurada hoje, às 19:00, dia em que está prevista também a inauguração de outra estrutura arquitetónica, na Praça CCB, que costuma acolher uma construção efémera para representar “a dimensão transitória dos lugares e das coisas”.

A estrutura, em aglomerado de cortiça expandida, foi construída pelo atelier Promontório, servirá para a projeção semanal de documentários sobre arquitetura e música, que integra a programação do CCB de Verão.

Hoje, o CCB celebra os seus 25 anos, convidando todos os públicos a participar numa festa, a partir das 19:00, com um conjunto de DJ com diversos perfis artísticos, do cinema às artes plásticas, da música ao teatro, para celebrar ao ar livre “a cidade de todas as artes”.

Entre os artistas confirmados estão Tânia Afonso, Black Bambi (Miguel Bonneville), Tomás Cunha Ferreira, Bruno Pernadas/João Vaz Silva, Joana Barrios & André e. Teodósio, João Botelho e Manel Cluny.